Alimentação ética e informada

Há muitos motivos para alguém decidir-se por ser vegetariano, vegano ou comer somente alimentos biológicos, ou por si cultivados ou de hortas comunitárias. Hoje em dia, cada vez mais existem apelos ao veganismo, vegetarianismo e outros modos de consumo de alimentos que sejam sustentáveis e saudáveis. Acima de tudo, existe um apelo a uma alimentação ética que diminua ou extinga de todo o sofrimento desnecessário do animal e cause o mínimo impacto ambiental possível.

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Até há bem pouco tempo atrás, eu defendia calorosamente que o ser Humano é omnívoro, e continuo a dizê-lo por ser verdade. Mas também é verdade que hoje em dia com os recursos a variedades de nutrientes a que temos acesso, podemos fazer um milagre, que é a escolha evolutiva de deixar de o sermos. E é realmente uma escolha.

Sou uma pessoa bastante sensível, tanto a nível emocional como de estômago, e na minha viagem alternando entre o consumo esporádico de carne, ao excesso, ao seu oposto, cheguei total e completamente ao ponto onde não consigo comer carne ou peixe e, até me enoja o sabor. Quando por algum motivo não posso escolher uma opção vegetariana, fico sempre mal disposta e com uma sensação de tristeza profunda.

Há uns anos valentes, vi o filme “Home” (link para o filme completo no Youtube), e no dia seguinte fui a um supermercado. Tive um ataque de pânico, bloqueei o corpo e a mente no corredor da carne embalada e desatei a chorar convulsivamente, não conseguia olhar para bifes e carne picada sem me subir o almoço do estômago à boca.

Andei uns anos a vacilar entre comer carne e não comer, a lidar com as dificuldades diárias de não conseguir comer nada na rua por exemplo, ou poder ir jantar fora porque na altura não existiam opcões vegetarianas nos menus dos restaurantes e, como todos sabíamos na altura, o acesso urbano a vegetais e fruta de qualidade eram praticamente nulos.

Entretanto os anos foram correndo, o pânico da carne foi diminuindo, até um dia por destino, comi um bacalhau com natas e no dia seguinte não aguentei e vomitei o dia todo. Na altura andava bastante vacilante, a tentar decidir entre o vegetarianismo e o consumo de carne ética e biológica - o mais próximo do que é natural no meio rural possível. Mas naquele dia tudo o que tinha no frigorífico para comer era uma daquelas embalagens de bacalhau com natas pré-feito. A partir daí o meu consumo de carne tem sido somente por hábito e vício, e nunca por necessidade. Tenho comido o mínimo de carne possível, e sinto-me a reduzir como quem reduz os cigarros para o choque do desmame não ser tão grande.

Decidi entretanto que chega de carne para mim. Tenho a possibilidade de fazer melhor por mim, pelos animais que de outra forma ingeriria e pelo clima, pelo planeta e por todos nós e o nosso futuro e foi essa a minha decisão.

A alimentação chegou a um ponto crítico de que é realmente uma escolha fazermos-nos mal a nós próprios, aos outros, aos animais que vivem em condições deploráveis a vida toda para comermos as doses absurdas de carne que comemos semanalmente, e ao ambiente.

As implicações da indústria da carne para o planeta são gravíssimas e isto já não é novidade nenhuma. E mesmo as implicações para a saúde, cada vez mais se percebe que não é sustentável para o corpo e mente uma alimentação tão desregulada como a que a maioria da humanidade suporta agora. Não é viável enquanto futuro do ser humano e do planeta, continuarmos a alimentarmos-nos desta forma. De hambúrgueres com batatas fritas todos os dias a sushi e peixe frito, a humanidade nunca esteve tão pouco saudável em termos de alimentação.

Por isso faço um apelo à alimentação ética e informada, o que quer que isso signifique para si. Por todos nós, pelo ambiente.

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